Educação Ambiental na EEEFM "Rio Caeté" BRAGANÇA - PA

" EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA RIO CAETÉ "
( BRAGANÇA - PARÁ - BRASIL )

18 Maio 2012

" O FILME AVATAR E A SUA MENSAGEM DE DEFESA DAS QUESTÕES AMBIENTAIS"


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" O FILME AVATAR E A SUA MENSAGEM DE DEFESA DAS QUESTÕES AMBIENTAIS"


O filme "AVATAR", demonstra com criatividade, inteligência e ousadia questões muito sérias e profundas sobre a problemática ambiental, particularmente vejo o filme como uma "semente", porque nele tem contida um conjunto de ideias que com certeza fizeram e vão fazer ainda a diferença no mundo do cinema e na sociedade como um todo. E vejo como atitude positiva a possibilidade de utilizar este meio cinematográfico para passar ideias, mensagens que podem frutificar nas mentes e nos corações e que podem ser transformar em atitudes, posturas e amor pelas causas ambientais e pela defesa da vida no planeta Terra.


O filme Avatar foi escrito e produzido por James Cameron, produção do ano de 2009, tem 2 horas e 55 minutos de duração, ganhou 02 Globos de Ouro e 03 Oscar (melhor fotografia, melhores efeitos especiais e melhor direção de arte), o estilo do filme é de ação e aventura e conta a estoria de um militar paraplégico que é enviado como espião para planeta Pandora com a missão de explorar as riquesas, para isto ele adota um perfil dos nativos com o intuído de se infiltrar e ganhar a confiança destes nativos. No entanto, ao entrar em contato com a beleza da natureza do planeta, com a cultura dos nativos e conhecer uma das guerreiras deste povo, se apaixona e ficando dividido, precisando fazer uma escolha decisiva em sua vida entre fica do lado dos nativos e defender o planeta da destruíção ou ficar do lado de seus superiores donos de uma empresa que procura minerais raros para explorar. No filme vence o coração, ele opta por defender o planeta, para isto prepara e lidera uma estratégia de luta junto com os nativos e acaba vencendo os exploradores.


O FILME AVATAR E A SUA MENSAGEM DE DEFESA DAS QUESTÕES AMBIENTAIS:


01- DESPERTAR PARA AS QUESTÕES AMBIENTAIS - o filme mostra muito bem a ambição desenfreada do seres humanos para explorar os recursos minerais sem levar em conta a destruição da riquesa da fauna e flora e da vida dos moradores deste planeta.


02- A DEPENDÊNCIA DA NATUREZA PARA A SOBREVIVÊNCIA HUMANA - no filme revela este momento marcante da ligação forte entre os nativos e a natureza, sendo uma lição para compreendermos que nesta relação entre os seres humanos e a natureza, somos nós que precisamos da natureza para sobreviver e não o contrário.


03- CORAGEM NA LUTA PELA DEFESA AMBIENTAL - ao verem seu planeta sendo destruído os nativos tentam defendê-lo, esta lição de coragem vem daqueles que amam a natureza e são conscientes de sua importância para a sobrevivência de sua raça, mas sobre tudo são sensíveis as causas ambientais. Nesta batalha contra a metalidade capitalista e destruidora da natureza é preciso ter muita coragem, ousadia e amor.


04 - UNIÃO E PARCERIAS AMBIENTAIS - a união das diversas tribos na luta pela defesa do planeta Pandora no filme, mostra que também nos podemos viver esta experiência de união entre os diversos setores públicos, privados, ongs, empresas, grupos, entidades e sociedade em geral para juntarmos forças, parcerias na luta por uma causa tão nobre como defesa das causas ambientais que representa a defesa da vida no planeta terra.


05- ORGANIZAÇÃO NA DEFESA DAS QUESTÕES AMBIENTAIS - no filme as estratégias de luta e organização que uni parceiros entre os nativos e utilizam das diversas armas possiveis para o sucesso da defesa ambiental e isto faz toda a diferença, pois acabam vencendo a batalha. E trazendo esta mensagem para a nossa realidade é necessário organização nesta luta pela defesa ambiental é preciso pensar global, mas agir local.


06- OBJETIVO COMUM: DEFESA DA VIDA - ter um objetivo comum nesta luta independente do que acreditamos é o mais importante e a defesa da vida que representa este objetivo comum a todos, principalmente a vida humana. Até agora os cientistas não encontraram outro planeta em todas as galáxias com todas as condições para o ser humano sobreviver, então precisamos tomar consciência que está em jogo a sobrevivência humana se não cuidarmos do planeta Terra. Se destruirmos este planeta Terra estamos destruíndo toda a possibilidade de continuidade da vida humana, por isto é preciso "cair a ficha" em nossas cabeças para compreendermos que é um ato de inteligência defender as causas ambientais, defender a vida em nosso planeta.


07- EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL - no filme os nativos tem uma profunda experiência espiritual com a natureza. E nós? O que mais precisamos para valorizar a natureza? A maioria da população do planeta se diz crer em Deus e o mais importante acreditam que a natureza é obra de Deus. Como nós podemos dizer que amamos a Deus se destruimos a obra maravilhosa de suas mãos,  a natureza no seu conjunto é o mais belo quadro que alguém poderia contemplar.... milhares de espécimes de árvores, de animais, de pássaros, de peixes, de flores.. milhares de lugares paradisíacos... que demonstram que existe uma sabedoria por trás desta obra maravilhosa...na qual tocamos o poder de Deus e uma profunda experiência espiritual extasiadora.... E o que mais queremos para valorizar a natureza? A maior motivação e a maior razão da luta pela defesa ambiental está justamente em acreditar que defendendo a natureza estamos demonstrando o nosso amor por Deus e valorizando a natureza como obra maravilhosa e grandiosa estamos de alguma forma reverênciando e honrando o artista que a criou.


08 - PODER DE ESCOLHA -  no filme percebe-se este poder de escolha do ator principal ao ficar dividido entre os seus superiores os donos da empresa exploradora de recursos minerais ou ficar do lado dos nativos e lutar com eles pela defesa do planeta Pandora, este escolhe os nativos. Dizem que a paixão é o que move os seres humanos na história e percebe-se esta paixão na vida de muitos dos grandes líderes da humanidade, como Jesus Cristo, Paulo de Tarso, Francisco de Assis, Chico Mendes e tantos outros que demonstraram este poder de escolha, arriscando sua própria vida por seus ideais. No filme esta paixão foi decisiva no momento crucial de escolher um dos lados. E isto me faz lembrar uma citação da Bíblia na qual Deus pede para o povo escolher: "Escolhe , pois a vida, para que vivas com a tua posteridade." (Deuteronômio 30,19).


09 - AMOR PELA NATUREZA - a filha do líder nativo, quando olha para a destruíção em seu planeta chora, choram também os nativos, mas choram porquê? Porque amam toda a vida de seu planeta. Será que é justamente isto que nos falta, amor pela vida de nosso planeta? Será que é isto que nos falta esta sensibilidade pelas causas ambientais? Será que o nosso coração endureceu ou cauterizou o nosso amor pela vida? Será que deixamos nos embriagar, alienar ou cegar com a mentalidade capitalista, consumista e egoísta que dominou o mundo? Então é preciso rever conceitos, práticas, posturas e atitudes em relação ao nosso planeta Terra, mas sei também que ainda não é tarde para uma mundança de vida comprometida com as causas ambientais.



Autora: Kátia Regina Corrêa Santos - Em: 18.05.2012


08 Abril 2012

"PROPOSTA DE SUGESTÃO DE UMA FILOSOFIA NORTEADORA DE AÇÃO PARA A ESCOLA RIO CAETÉ"


Obs: Imagem extraída do site:
 http://radioriocaete.blogspot.com

"PROPOSTA DE SUGESTÃO DE UMA FILOSOFIA NORTEADORA DE AÇÃO PARA A ESCOLA RIO CAETÉ"

Levamos em consideração que a maioria das escolas de Bragança-Pa, tem nomes dedicados em honra a algum personagem político, religioso ou da educação, mas sempre pessoas que já faleceram e meio a esta ideia, a Escola Rio Caeté se destaca pelo diferencial que é possuir um nome dedicado a um rio, o famoso Rio Caeté, cantado e recantado em versos.

E pensando em uma proposta para a "Filosofia da Escola", podemos ver as escolas salesianas que possuem uma educação voltada para as ideias de seu fundador Dom Bosco, imaginamos que uma escola como o Instituto Santa Terezinha deve possuir uma filosofia voltada para as ideias de amor, humildade e serviço tão defendidas pela pequena Tereza de Lisiéux. E a Escola Rio Caeté que rumos tomaria para construir sua Filosofia Escolar?

A partir da escolha do nome da Escola de Ensino Fundamental e Médio Rio Caeté, como podemos pensar numa "Filosofia" que exprima um direcionamento da forma de educar deste Estabelecimento de Ensino? Pensando nesta realidade o que podemos sugerir ou propor?

Para responder estas questões, refletimos e chegamos a um consenso, que pelo fato do nome da escola ser dedicado e inspirado em um rio que banha a cidade de Bragança e que tem muito haver com meio ambiente, com ecologia, com natureza, nos sugerimos que a Escola Rio Caeté deveria ter uma Filosofia voltada para as questões ambientais, que contribuisse com a formação de futuros cidadãos comprometidos com a defesa do meio ambiente.

E quando se fala em futuro, em projetos à longo e a curto prazo, poderíamos pensar longe e ousar dizer que uma Filosofia da Escola voltada para as questões ambientais teria grandes influências na formação dos alunos, pois se começarmos a ouvir estas ideias que são como "sementes", desde a 5ª, 6ª,7ª e 8ª série do Ensino Fundamental e depois no 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio, são praticamente 7 anos de estudo que um aluno passa na escola, não seria possível que algo sobre estas questões ambientais não ficasse em suas mentes e que não fosse servir para sua formação para o futuro cidadão de nossa cidade? Isto é pensar à longo prazo, isto é um desafio se abraçarmos esta causa da defesa das questões ambientais, como Filosofia da nossa querida Escola Rio Caeté.

Para fundamentar esta proposta de sugestão para uma Filosofia voltada para as questões ambientais, buscamos embasamento na maior lei do país: a Constituição Federal, que defende o meio ambiente em seu Capítulo VI, no Artigo 225:

"Artigo 225 -Todos tem direito ao ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:
VI- Promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente" (Constituição Federal de 1988).

Pensando nesta realidade do compromisso ambiental tanto do poder público quanto da sociedade, principalmente das escolas públicas, acreditamos que esta proposta pode ser uma boa sugestão para a Escola Rio Caeté. E para concretizar esta proposta dentro da escola, fizemos uma lista de sugestões de ações e atividades, que podem ser desenvolvidas como forma de contribuir com a educação voltada para as questões ambientais:

-Desenvolver uma cultura de preservação ambiental
-Fazer um bosque na escola
-Pintar frases sobre o meio ambiente na blusa de uniforme dos alunos
-Pintar frases sobre o meio ambiente nas salas e corredores
-Festejar o Dia do Meio Ambiente (06 de junho)
-Ampliar o projeto do chicletário
-Colocar mais cestos de lixo na escola
-Projeto horta na escola
-Fechar parceria com a Cooperativa da coleta seletiva de lixo
-Sensibilizar os alunos a não jogarem lixo no chão
-Investir em cursos e projetos de reciclagem
-Criar um logotipo ambiental para a escola
-Mandar pintar o desenho do Rio Caeté no muro da escola
-Premiar a sala mais limpa
-Criar campanhas de preservação do ambiente escolar
-Investir em filmes e documentários ambientais para passarem para os alunos

Estas são apenas algumas pequenas sugestões, que podemos ser ampliadas ou até mesmo sugeridas novas ideias por outros alunos e professores que venham de encontro com a realidade desta escola, queremos lembrar que trabalhar as questões ambientais na escola chama também a um compromisso com a prática. No entanto a questão ambiental é uma causa que diz respeito a nossa própria sobrevivência e qualidade de vida no planeta Terra, porém uma causa que vale à pena se comprometer. 

E concluímos a nossa Proposta de Sugestão de uma Filosofia Norteadora de Ação para a Escola Rio Caeté com a frase do autor Joseph Nash, retirada do livro: "Viver bem para viver melhor", do autor Jaime Borras, Editora: Edições Paulinas,1984, página 13, na qual ele faz um alerta:

"A HUMANIDADE ESTA TÃO ESTREITAMENTE LIGADA AO MEIO AMBIENTE QUE AS PESSOAS SOMENTE, PODERÃO SOBREVIVER SE ESTE FOR PRESERVADO" (JOSEPH NASH).

Autores desta Proposta de sugestão para uma Filosofia Norteadora de Ação para a Escola Rio Caeté, foram alunos do 2º ano do Ensino Médio, Turma 201, turno da tarde, ano: 2008:

-Edvany Lima
-Anderson Cardoso
-Erica Tamara
-Elizandra Camila
-Ângelo Rogério
-Wemerson

Obs: Esta proposta foi entregue na Escola Rio Caeté em 2008.

15 Março 2012

"ENTREVISTA COM O ESCRITOR E AMBIENTALISTA VILMA BERNA"


Obs: Imagem extraída do site: cbja-rio2011.com.br


“ENTREVISTA COM O ESCRITOR E AMBIENTALISTA VILMAR BERNA”

Por: Sucena Shkrada Resk


Em continuidade ao Especial EDUCOMUNICAÇÃO AMBIENTAL, do BLOG CIDADÃOS DO MUNDO, o terceiro entrevistado é o jornalista gaúcho VILMAR BERNA. Com uma biografia permeada pela militância no movimento socioambiental, optou por mudar de ‘vida’ e morar com a família, em uma colônia de pescadores em Niterói, RJ. Em 1999, recebeu o Prêmio Global 500 para o Meio Ambiente, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em reconhecimento a suas ações em prol da cidadania planetária. É um dos fundadores da Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA) e edita voluntariamente a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br). Na carreira literária, se dedica principalmente ao tema de ecologia e educação ambiental, com mais de 10 títulos publicados.


Blog Cidadãos do Mundo – Qual é a sua leitura sobre a história da comunicação ambiental brasileira?


Vilmar Berna – A partir da década de 70, o inconsciente coletivo aceitava a ideia do progresso com a poluição, como um preço a pagar. Neste período, poluir chegava a ser sinônimo de crescimento. A terra desmatada era tratada como beneficiada. Três décadas depois, houve uma mudança radical dessa visão. Não se aceita mais aqueles modelos. Apesar de sermos consumidores, para mantermos a sobrevivência, não aceitamos mais a poluição como um preço por nossa paz. Essa mudança não se deu por acaso. As pessoas mudaram, porque começaram a receber informações por meio dos profissionais da comunicação, que têm o papel de mediadores. Embora os jornalistas, em geral, se recusem ao compromisso de engajamento, os comunicadores (categoria da qual faz parte) são a alavanca de conhecimento para a sociedade.

Blog Cidadãos do Mundo – Mas como esse processo acontece?



Berna – É falsa a ideia de que a informação sozinha gera mudança, precisa estar acompanhada por valores fraternos, para que não seja manipulada. A mudança não acontece ao mesmo tempo em todo mundo. Cada pessoa percebe em um momento distinto. Há setores que são mais atrasados nessa reflexão. Mas o importante a destacar é que os profissionais de comunicação fizeram avançar o inconsciente coletivo. Alguns avançaram pela dor ou pelo amor. Como exemplo, cito a cobertura de casos clássicos, como o vazamento de petróleo do Exxon Valdez (1989); o acidente em Bhopal, Índia, em que milhares de pessoas morreram por causa da nuvem tóxica provocada por um vazamento na planta da Union Carbide (1984); o acidente na Usina Nuclear Chernobyl, na Ucrânia (1986), que foi considerado o mais grave da história. Ao ter conhecimento desses casos, a sociedade começou a ver que havia algo errado com o modelo de desenvolvimento. Como também, que os representantes políticos, ao incorporarem a legislação ambiental, assumiam avanços. Outras pautas, como o trabalho escravo (caso Nike), fizeram com que as pessoas reagissem com o descaso nas relações trabalhistas/humanas.


Blog Cidadãos do Mundo – Qual é o papel da educomunicação nesse trajeto da comunicação ambiental



Berna – Embora os profissionais de comunicação e os educadores ambientais não percebam que são lados diferentes da mesma moeda, eles são e podem ser a mesma pessoa. A noção de educomunicação tem um conteúdo filosófico, em que a educação mais a comunicação são consideradas ferramentas capazes de levar informações com valores. Há ainda uma segunda visão prática, de que a EA utiliza os meios de comunicação para atingir a massa. A proposta é sintetizar grandes saberes, por meio da informação e construir esses valores. Tudo isso vem, desde o Clube de Roma e com a Organização das Nações Unidas (ONU). Paulo Freire é um caudatário deste movimento. Ele falava que o grande desafio da educação é libertar o ser humano da escravidão do consumismo. Toda mudança exige movimentos de cima para baixo e vice-versa, principalmente das comunidades atingidas, reagindo e denunciando. Por outro lado, governos criando normas (mesmo que não cumpram). A luta continua hoje, porque os agentes que produzem mudanças permanecem ativos. A Internet possibilita essa globalização, com redes trabalhando em processos semelhantes. O desafio é aumentar a velocidade desses processos, porque se continuarmos com esse modelo predatório, o ser humano não terá mais tempo. O problema não é crescer, mas o tipo de crescimento. É preciso desconstruir mitos.


Blog Cidadãos do Mundo – Mas as redes trabalham com um propósito comum?



Berna – Segundo o mestre em Sociologia e doutor em Ciência Política, Eduardo Viola, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), existem os fundamentalistas, que chamamos de naturebas, que vivem no campo, ligados à raiz e que se integram à natureza e aos rituais. Outra vertente é dos ecossocialistas, que consideram que o problema é a falta de políticas públicas e que o meio ambiente não pode ser commodity. Uma terceira modalidade é a dos chamados ecocapitalistas, que defendem que a iniciativa privada tem o papel importante para a captação de recursos e com isso as grandes corporações não querem destruir isso. Nesse contexto, há as ISOS, os selos ambientais, os prêmios. A figura do Estado se restringe ao papel regulatório das regras do jogo. Por fim, estão os pragmáticos, que evitam se sobrepor a essas posições. São aqueles que articulam os abaixo-assinados, sentam com os governantes para discutir... É uma linha mais prática. O grande desafio é que todas essas correntes falem umas com as outras e que os jornalistas ambientais se afastem um pouco dessas tendências (para ter um olhar mais isento), a não ser que seja corporativo.


Blog Cidadãos do Mundo – Como a ética está inserida na educomunicação?

Berna – Existem várias éticas, que mudam de acordo com o tempo e lugar. Não são imutáveis. Em função da informação que as pessoas recebem, elas fazem escolhas, constroem valores. O que permite mudar é estar consciente dessas escolhas. Não acredito que somos somente resultado de genes e história. Escolhemos os valores e suas relações em função da informação. Mas com certeza é falta de ética eleger determinada informação em detrimento de outra. Mentira não é ética em lugar algum. Acho inadmissível que a pretexto de divulgar uma informação considerada valorosa, por exemplo, só do lado de um movimento social, não seja ouvido o contraponto etc. Também não há nada de errado que uma empresa patrocine um veículo de comunicação. O errado é que esse patrocínio signifique cercear as informações.



*O jornalista Vilmar Berna concedeu a entrevista ao Especial Educomunicação Ambiental do Blog Cidadãos do Mundo (www.cidadaodomundo.blogse.com.br), no dia 29 de outubro deste ano, durante fantour jornalístico, do qual participamos com outros profissionais da área de comunicação ambiental, promovido em Manaus, AM, pela Honda South America. A singularidade da ocasião, que considero oportuna de mencionar, é que estávamos em uma embarcaço sobre o Rio Negro, quase nas confluências com o Amazonas e Solimões. Um rico cenário educomunicativo, em que há os povos da floresta e, ao mesmo tempo, os trabalhadores do Distrito Industrial de Manaus. Pessoas que, por muitas vezes, ficam anônimas e não conseguem se expressar, porque não se dá a oportunidade a elas para esse empoderamento.


Obs: Entrevista retirada do site: http://www.escritorvilmarberna,com.br

17 Fevereiro 2012

"A NORMOSE AMBIENTAL"


Obs: Imagem extraída do site: amoremversoeprosa.com



“A NORMOSE AMBIENTAL”



Gostaria de pedir licença para abordar um aspecto da normose sobre o qual é fundamental que nos debrucemos, por denunciar a nossa falta de amor e cuidado para com o nosso planeta... Falar um pouco desse “sono” que nos tem conduzido a uma total desconexão com a nossa própria condição humana, assim como a um profundo distanciamento da natureza como um todo; que traduz a ausência de uma relação sistêmica com a totalidade que a Mãe Natureza, em toda a sua sabedoria, vem tecendo há bilhões de anos.



A normose tem envolvido em véus compromissos ancestrais com a harmonia e com o equilíbrio da vida, fazendo de nós, a humanidade, “agentes de um processo destrutivo desagregador” – processo cuja face dramática é preciso denunciar e encarar com indignação, para que possamos mudar o curso dessa série de ações violentas e absurdas que tem caracterizado a dita civilização moderna. Afinal, todos, sem exceção, temos a mesma origem, somos filhos da mesma Terra Mãe, que os gregos chamavam “Gaia”, organismo vivo.



Na verdade, essa desconexão normótica tem norteado as atitudes de uma grande maioria dos seres humanos para com o planeta num total desrespeito pela “teia da vida”, tratando toda a rica biodiversidade, as florestas, os oceanos, as montanhas, os campos, os animais, toda a existência na Terra, enfim, como se fosse nada mais que um mero cenário para a manifestação de ações humanas.



Anestesiamos e banalizamos o que deveria ser o deslumbramento, por não sabermos o resultado de um processo extraordinário de inter-retro-conexões, movidas pela ânsia da vida por si mesma, no qual a aventura humana se efetivou quando 99% de todos os ecossistemas estavam organizados e em seu relativo e delicado equilíbrio...



A normose nos fez esquecer que o surgimento da vida humana expressa a subjetividade subjacente a toda a rica evolução da matéria e que esse fato, por si só, já estabelece laços e compromissos com toda expressão da vida.



É fundamental, pois, que passemos a alimentar uma postura com uma consciência do global e do local. Somos convidados a edificar uma nova era de civilizações. Que ética, que moral importa viver nestes próximos tempos ?



A atitude normótica remete a maioria a uma “atitude de sono e de inércia”. Para aqueles mais despertos, há uma dolorosa sensação de impotência diante do alarme ecológico. Mesmo esses últimos acabam por transferir para “além do meu quintal” a responsabilidade que é de cada um.



A atitude de cuidar da casa, da morada, do “ethos”, é de cada ser que respira, se movimenta, se alimenta, gera resíduo. A teia da vida manifestada, de uma anêmona do mar a um angico, de uma vaca no pasto a uma andorinha, faz sem dúvida a sua parte, enquanto nós, humanos, ditos “civilizados e modernos”, terceirizamos essa co-responsabilidade.



A normose nos aprisiona em um “sono” do qual é preciso despertar, para começarmos a perceber e a reagir aos sinais de esgotamento dos recursos naturais que denunciam que tudo depende da salvaguarda da Terra, para a manutenção das condições de vida e de reprodução para a humanidade. Temos notícias históricas de colapsos e cataclismos que baniram do planeta determinadas espécimes.



Assim sendo, o projeto de harmonizar a humanidade com o planeta nos parece ser uma pré-condição fundamental para que se possa viabilizar qualquer outro projeto, pois estamos falando da sobrevivência a Terra e dos seus filhos e filhas. Essa consciência precisa ser assimilada e vivenciada, urgentemente.



Autora: Regina Fittipaldi



Obs: Trechos retirados da obra: “Normose: patologia da normalidade”, autores: Pierre Weil, Jean-Yves Lelo’up, Roberto Crema, Campinas, SP: Verus Editora, 2003, páginas: 116, 117e 118.

04 Janeiro 2012

"A MUNDANÇA COMEÇA EM NÓS"


Obs: Foto tirada em uma das aulas de Educação Ambiental na Escola Rio Caeté


"A MUDANÇA COMEÇA EM NÓS"


Todos nós desejamos viver num mundo melhor, mais pacífico, fraterno e ecológico. O problema é que as pessoas sempre esperam que esse mundo melhor comece no outro. É comum ouvirmos pessoas falando que têm boa vontade para ajudar, mas como ninguém as convida para nada, nem se organizam, então não podem contribuir como gostariam para um mutirão de limpeza da rua, por exemplo, ou para plantio de árvores. Pessoas assim acabam achando mais fácil reclamar que ninguém faz nada, ou que a culpa é do “Sistema”, dos governantes ou empresas, mas não se perguntam se estão fazendo a parte que lhes cabe.


Por outro lado, é importante não ficar esperando a perfeição individual - pois isso é inatingível. O fato de adquirirmos consciência ambiental, não nos faz perfeitos. O importante é que tenhamos o compromisso de ser melhor todo dia, procurando sempre nos superarmos. Também não podemos cometer o erro de subordinar a luta em defesa da natureza às mudanças nas estruturas injustas de nossa sociedade, pois devem ser lutas interligadas e simultâneas, já que de nada adianta alcançarmos toda a riqueza do mundo, ou toda a justiça social que sonhamos, se o planeta tornar-se incapaz de sustentar a vida humana com qualidade.


As questões ambientais estão inter-relacionadas também à questão da identidade cultural de uma comunidade. Ao migrar das cidades do interior para os grandes centros urbanos, além de todos os problemas que acarretam com o crescimento das cidades, as pessoas perdem muito de sua identidade cultural, sua memória. Se no interior, apesar das dificuldades, as pessoas tinham nome e sobrenome, eram conhecidas, nas cidades estão isoladas, como se fosse num mar enorme, de gente por todos os lados, mas gente desconhecida.


Sem identidade cultural, importa muito pouco saber que o patrimônio da coletividade, seja ambiental, seja arquitetônico, histórico, cultural, a própria rua, a praça, está sendo ameaçado ou destruído. À medida que essa gente não se sente dona desses espaços coletivos - que são considerados como terra de ninguém ou como pertencentes aos governos dos quais não gostam - também não se mobilizam em sua defesa. Assim, não há nenhuma sensação de perda diante de uma floresta que deixa de existir ou de um lago ou manguezal aterrado, pois a população residente, em sua maior parte, por não ter identidade cultural com o lugar em que vive, também não se sente parte dele. Esse fenômeno acontece, hoje, principalmente nas periferias das grandes cidades brasileiras, onde se concentram milhares de trabalhadores que usam as cidades apenas para dormir constituindo-se em mão-de-obra pendular casa-trabalho/trabalho-casa das grandes cidades. Existe uma grande população, mas não um grande povo.


Um educador ambiental, por exemplo, precisa ter clara compreensão dessa realidade, procurando também associar-se às lutas populares pelo resgate cultural e desenvolvendo técnicas, como a memória viva, para iniciar uma formação de identidade cultural dos educandos com o lugar em que vivem.


Nesse ponto retorna a questão fundamental da linguagem. É preciso partir da percepção dos educandos sobre o que são as questões ambientais, e não da dos educadores, para que os alunos assumam como suas as melhorias ambientais e a defesa de seu patrimônio ambiental, e não uma imposição dos governos ou da escola. Nesse sentido, o professor não deve pretender ser um condutor de novos conhecimentos, pois não se trata apenas de estimular o aluno a dominar maior número de informações, mas assumir o papel de estimulador, motivador, instrumento, apoio, levando os alunos a elaborarem seu próprio conhecimento sobre o que seja meio ambiente e o aluno pode fazer para evitar as agressões.


A Educação Ambiental, à medida que se assume como educação mais política do que técnica, assume também o processo de formadora da identidade política e cultural de um povo. Nesse sentido, alinha-se a todas as lutas e movimentos da sociedade pela cidadania.


O educador ambiental deve procurar colocar os alunos em situações que sejam formadoras, como por exemplo, diante de uma agressão ambiental ou de um bom exemplo de preservação ou conservação ambiental, apresentando os meios de compreensão do meio ambiente. Em termos ambientais isso não constitui dificuldades, uma vez que o meio ambiente está em toda a nossa volta. Dissociada dessa realidade, a educação ambiental não teria razão de ser. Entretanto, mais importante que dominar informações sobre um rio ou ecossistema da região é usar o meio ambiente local como motivador, para que o aluno seja levado a compreender conceitos como, por exemplo:


VISÃO FÍSICA: 

Nada vive isolado na natureza. Assim como influenciamos no meio, somos influenciados por ele. Um ser depende do outro para sobreviver. Não existem seres mais ou menos importantes para o conjunto da vida no planeta. A única coisa importante é a rede de relações que todos os seres vivos mantém entre si e com o meio em que vivem. Rompida esta "teia", ou diminuída em sua capacidade, a vida corre perigo.


VISÃO CULTURAL:

O meio ambiente não é constituído apenas pelo mundo natural, onde vivem as plantas e os animais, mas também pelo mundo construído pelo ser humano, suas cidades, as zonas rurais e urbanas. Estes dois mundos relacionam-se e influenciam-se reciprocamente. Somos resultado dessas duas evoluções, a natural e a cultural.


VISÃO POLÍTICO-ECONÔMICA:

O poder não está distribuído de maneira igual por toda a humanidade, sendo diferente, portanto, a distribuição das responsabilidades de cada um pela destruição do planeta e pela construção de um mundo melhor. Cada cidadão pode e deve fazer a sua parte, mas os empresários, políticos, administradores públicos, etc., têm uma responsabilidade muito maior. Atrás de cada agressão à natureza estão interesses sócio-econômicos e culturais de nossa espécie, que usa o planeta como se fosse uma fonte inesgotável de recursos. As relações entre a espécie humana e a natureza estão em desequilíbrio por que refletem a injustiça e desarmonia das relações entre os indivduos de nossa própria espécie.


VISÃO ÉTICA: 

A mudança para uma relação mais harmônica e menos predatória e poluidora com o planeta e as outras espécies depende de todos, mas especialmente começa em cada um de nós, individualmente, através de dois movimentos distintos: um para dentro de nós mesmos e de nossa família, com adoção de novos hábitos, comportamentos, atitudes e valores; e outro para a sociedade em torno de nós, buscando a união com outros cidadãos para influir em políticas públicas e empresariais que levem em conta o planeta, a qualidade de vida, a justiça social.


Logo, por mais que o ensino para o meio ambiente mude de lugar para lugar, em função das diferentes realidades, alguns princípios estão presentes praticamente em todas as situação, tais como:


DEFINA PALAVRAS E CONCEITOS:

Defender a natureza, a flora e a floresta, o meio ambiente, a ecologia. Preservar os ecossistemas e os habitats, combater a depredação dos recursos naturais, a poluição de mananciais e do lençol freático. São palavras e conceitos que se tornaram comuns hoje em dia, mas afinal, do que se trata? É preciso definir o que se está falando, tomando o cuidado de não cair num tecnicismo que distancie o aluno da ação transformadora que ele precisa empreender como cidadão de seu tempo.


MOSTRE A IMPORTÂNCIA:

Por mais sério que seja, ninguém consegue ter a sensação de importância por uma coisa abstrata, fora de sua realidade. Antes de se importar com a sobrevivência das outras espécies, o aluno precisa estar consciente de sua própria importância, sua capacidade de interferir no meio ambiente e de agir como cidadão. Afinal, como respeitar espécies consideradas inferiores se o aluno percebe que não há respeito entre os indivíduos de sua própria espécie?


ESTIMULE A REFLEXÃO:

A cada ação deve corresponder uma reflexão, pois não é possível pretender transformar o mundo ou criar uma relação mais harmônica com a natureza ou os outros indivíduos de nossa própria espécie baseando-se apenas no academicismo, onde se acumula um volume imenso de conhecimentos e informações sem que isso reverta em melhoria das condições de vida; ou no tarefismo, onde se procura transformar o mundo pela ação direta, como se nosso esforço fosse o suficiente para contagiar a todos. O equilíbrio entre as duas forças deve ser o objetivo de uma boa educação para o meio ambiente.


ESTIMULE A PARTICIPAÇÃO:

Uma vez que o aluno já domina um mínimo de conhecimentos sobre palavras e conceitos e está consciente sobre a importância de seu papel como agente transformador o próximo passo é a participação. É no enfrentamento dos problemas de seu cotidiano que o aluno se formará como cidadão. Além disso, o jovem não precisa chegar à maioridade ou ter um diploma técnico para só então defender seus direitos a um meio ambiente preservado, pois cada omissão equivale à destruição de mais e mais recursos naturais, de mais e mais poluição. A mudança deve começar já, inicialmente através de novas atitudes e comportamentos, mas logo a seguir procurando engajar-se nas ações da sociedade em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida. Para estimular os alunos, uma boa técnica é estabelecer parceiras com os grupos ecológicos comunitários do lugar, convidando-os para se integrarem ao trabalho na escola.


INTERESSE-SE A DESCOBRIR COISAS NOVAS:

Um diploma de conclusão de curso não significa o domínio total de um conhecimento. A gente continua aprendendo sempre. Interesse seus alunos pelos estudos da natureza, lendo com eles notícias recentes de jornais e revistas, comentando a última programação sobre ecologia na televisão. Estimule cantinhos da natureza na sala de aula, museus naturais, álbum de recortes, leituras coletivas de materiais etc.


FAÇA JUNTO COM ELES:

O exemplo vale mais do que mil palavras. Os alunos são bastante impressionáveis diante da figura do professor. Ver o professor falar, falar, mas não agir conforme o que fala é desestimulante para os alunos e, ao mesmo tempo, um apelo ao não-agir, considerar o ensino para o meio ambiente como mais uma disciplina aborrecida que deve ser estudada apenas para tirar uma boa nota. Aproveite a oportunidade e engaje-se com seus alunos na tarefa de se construir as novas relações com o planeta, afinal, essa é uma tarefa de cidadania, muito mais que um compromisso de trabalho.


SAIA DA SALA DE AULA:

O meio ambiente da sala de aula não é o mais adequado para ensinar sobre o mundo que está lá fora. Sair da sala de aula, entretanto, traz inúmeros problemas quando se dispõe de apenas 45 minutos para uma aula. Uma das soluções pode ser mutirão pedagógico com colegas de outras disciplinas, o que reforça o caráter interdiciplinar do ensino para o meio ambiente. Outra possibilidade é sugerir aos pais dos alunos que façam incursões em finais de semanas ou feriados para realizar estudos do meio ou investigar e fotografar um problema ambiental, levando no carro dois, três ou mais coleguinhas dos filhos. E isso nem é uma proposta absurda, já que muitos pais ajudam os filhos nos trabalhos escolares, e não deixa de ser um passeio interessante, além de promover a integração entre pais e alunos, escolas e comunidade.



Obs: Artigo: “A MUDANÇA COMEÇA EM NÓS", autor: Vilmar Berna, e foi retirado do site:
http://www.escritorvilmarberna.com.br