Educação Ambiental na EEEFM "Rio Caeté" BRAGANÇA - PA

" EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA RIO CAETÉ "
( BRAGANÇA - PARÁ - BRASIL )

15 março 2012

"ENTREVISTA COM O ESCRITOR E AMBIENTALISTA VILMAR BERNA"


Obs: Imagem extraída do site: cbja-rio2011.com.br


“ENTREVISTA COM O ESCRITOR E AMBIENTALISTA VILMAR BERNA”

Por: Sucena Shkrada Resk


Em continuidade ao Especial EDUCOMUNICAÇÃO AMBIENTAL, do BLOG CIDADÃOS DO MUNDO, o terceiro entrevistado é o jornalista gaúcho VILMAR BERNA. Com uma biografia permeada pela militância no movimento socioambiental, optou por mudar de ‘vida’ e morar com a família, em uma colônia de pescadores em Niterói, RJ. Em 1999, recebeu o Prêmio Global 500 para o Meio Ambiente, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em reconhecimento a suas ações em prol da cidadania planetária. É um dos fundadores da Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA) e edita voluntariamente a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente (www.portaldomeioambiente.org.br). Na carreira literária, se dedica principalmente ao tema de ecologia e educação ambiental, com mais de 10 títulos publicados.


Blog Cidadãos do Mundo – Qual é a sua leitura sobre a história da comunicação ambiental brasileira?


Vilmar Berna – A partir da década de 70, o inconsciente coletivo aceitava a ideia do progresso com a poluição, como um preço a pagar. Neste período, poluir chegava a ser sinônimo de crescimento. A terra desmatada era tratada como beneficiada. Três décadas depois, houve uma mudança radical dessa visão. Não se aceita mais aqueles modelos. Apesar de sermos consumidores, para mantermos a sobrevivência, não aceitamos mais a poluição como um preço por nossa paz. Essa mudança não se deu por acaso. As pessoas mudaram, porque começaram a receber informações por meio dos profissionais da comunicação, que têm o papel de mediadores. Embora os jornalistas, em geral, se recusem ao compromisso de engajamento, os comunicadores (categoria da qual faz parte) são a alavanca de conhecimento para a sociedade.

Blog Cidadãos do Mundo – Mas como esse processo acontece?



Berna – É falsa a ideia de que a informação sozinha gera mudança, precisa estar acompanhada por valores fraternos, para que não seja manipulada. A mudança não acontece ao mesmo tempo em todo mundo. Cada pessoa percebe em um momento distinto. Há setores que são mais atrasados nessa reflexão. Mas o importante a destacar é que os profissionais de comunicação fizeram avançar o inconsciente coletivo. Alguns avançaram pela dor ou pelo amor. Como exemplo, cito a cobertura de casos clássicos, como o vazamento de petróleo do Exxon Valdez (1989); o acidente em Bhopal, Índia, em que milhares de pessoas morreram por causa da nuvem tóxica provocada por um vazamento na planta da Union Carbide (1984); o acidente na Usina Nuclear Chernobyl, na Ucrânia (1986), que foi considerado o mais grave da história. Ao ter conhecimento desses casos, a sociedade começou a ver que havia algo errado com o modelo de desenvolvimento. Como também, que os representantes políticos, ao incorporarem a legislação ambiental, assumiam avanços. Outras pautas, como o trabalho escravo (caso Nike), fizeram com que as pessoas reagissem com o descaso nas relações trabalhistas/humanas.


Blog Cidadãos do Mundo – Qual é o papel da educomunicação nesse trajeto da comunicação ambiental



Berna – Embora os profissionais de comunicação e os educadores ambientais não percebam que são lados diferentes da mesma moeda, eles são e podem ser a mesma pessoa. A noção de educomunicação tem um conteúdo filosófico, em que a educação mais a comunicação são consideradas ferramentas capazes de levar informações com valores. Há ainda uma segunda visão prática, de que a EA utiliza os meios de comunicação para atingir a massa. A proposta é sintetizar grandes saberes, por meio da informação e construir esses valores. Tudo isso vem, desde o Clube de Roma e com a Organização das Nações Unidas (ONU). Paulo Freire é um caudatário deste movimento. Ele falava que o grande desafio da educação é libertar o ser humano da escravidão do consumismo. Toda mudança exige movimentos de cima para baixo e vice-versa, principalmente das comunidades atingidas, reagindo e denunciando. Por outro lado, governos criando normas (mesmo que não cumpram). A luta continua hoje, porque os agentes que produzem mudanças permanecem ativos. A Internet possibilita essa globalização, com redes trabalhando em processos semelhantes. O desafio é aumentar a velocidade desses processos, porque se continuarmos com esse modelo predatório, o ser humano não terá mais tempo. O problema não é crescer, mas o tipo de crescimento. É preciso desconstruir mitos.


Blog Cidadãos do Mundo – Mas as redes trabalham com um propósito comum?



Berna – Segundo o mestre em Sociologia e doutor em Ciência Política, Eduardo Viola, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UNB), existem os fundamentalistas, que chamamos de naturebas, que vivem no campo, ligados à raiz e que se integram à natureza e aos rituais. Outra vertente é dos ecossocialistas, que consideram que o problema é a falta de políticas públicas e que o meio ambiente não pode ser commodity. Uma terceira modalidade é a dos chamados ecocapitalistas, que defendem que a iniciativa privada tem o papel importante para a captação de recursos e com isso as grandes corporações não querem destruir isso. Nesse contexto, há as ISOS, os selos ambientais, os prêmios. A figura do Estado se restringe ao papel regulatório das regras do jogo. Por fim, estão os pragmáticos, que evitam se sobrepor a essas posições. São aqueles que articulam os abaixo-assinados, sentam com os governantes para discutir... É uma linha mais prática. O grande desafio é que todas essas correntes falem umas com as outras e que os jornalistas ambientais se afastem um pouco dessas tendências (para ter um olhar mais isento), a não ser que seja corporativo.


Blog Cidadãos do Mundo – Como a ética está inserida na educomunicação?

Berna – Existem várias éticas, que mudam de acordo com o tempo e lugar. Não são imutáveis. Em função da informação que as pessoas recebem, elas fazem escolhas, constroem valores. O que permite mudar é estar consciente dessas escolhas. Não acredito que somos somente resultado de genes e história. Escolhemos os valores e suas relações em função da informação. Mas com certeza é falta de ética eleger determinada informação em detrimento de outra. Mentira não é ética em lugar algum. Acho inadmissível que a pretexto de divulgar uma informação considerada valorosa, por exemplo, só do lado de um movimento social, não seja ouvido o contraponto etc. Também não há nada de errado que uma empresa patrocine um veículo de comunicação. O errado é que esse patrocínio signifique cercear as informações.



*O jornalista Vilmar Berna concedeu a entrevista ao Especial Educomunicação Ambiental do Blog Cidadãos do Mundo (www.cidadaodomundo.blogse.com.br), no dia 29 de outubro deste ano, durante fantour jornalístico, do qual participamos com outros profissionais da área de comunicação ambiental, promovido em Manaus, AM, pela Honda South America. A singularidade da ocasião, que considero oportuna de mencionar, é que estávamos em uma embarcaço sobre o Rio Negro, quase nas confluências com o Amazonas e Solimões. Um rico cenário educomunicativo, em que há os povos da floresta e, ao mesmo tempo, os trabalhadores do Distrito Industrial de Manaus. Pessoas que, por muitas vezes, ficam anônimas e não conseguem se expressar, porque não se dá a oportunidade a elas para esse empoderamento.


Obs: Entrevista retirada do site: http://www.escritorvilmarberna,com.br

17 fevereiro 2012

"A NORMOSE AMBIENTAL"


Obs: Imagem extraída do site: amoremversoeprosa.com



“A NORMOSE AMBIENTAL”



Gostaria de pedir licença para abordar um aspecto da normose sobre o qual é fundamental que nos debrucemos, por denunciar a nossa falta de amor e cuidado para com o nosso planeta... Falar um pouco desse “sono” que nos tem conduzido a uma total desconexão com a nossa própria condição humana, assim como a um profundo distanciamento da natureza como um todo; que traduz a ausência de uma relação sistêmica com a totalidade que a Mãe Natureza, em toda a sua sabedoria, vem tecendo há bilhões de anos.



A normose tem envolvido em véus compromissos ancestrais com a harmonia e com o equilíbrio da vida, fazendo de nós, a humanidade, “agentes de um processo destrutivo desagregador” – processo cuja face dramática é preciso denunciar e encarar com indignação, para que possamos mudar o curso dessa série de ações violentas e absurdas que tem caracterizado a dita civilização moderna. Afinal, todos, sem exceção, temos a mesma origem, somos filhos da mesma Terra Mãe, que os gregos chamavam “Gaia”, organismo vivo.



Na verdade, essa desconexão normótica tem norteado as atitudes de uma grande maioria dos seres humanos para com o planeta num total desrespeito pela “teia da vida”, tratando toda a rica biodiversidade, as florestas, os oceanos, as montanhas, os campos, os animais, toda a existência na Terra, enfim, como se fosse nada mais que um mero cenário para a manifestação de ações humanas.



Anestesiamos e banalizamos o que deveria ser o deslumbramento, por não sabermos o resultado de um processo extraordinário de inter-retro-conexões, movidas pela ânsia da vida por si mesma, no qual a aventura humana se efetivou quando 99% de todos os ecossistemas estavam organizados e em seu relativo e delicado equilíbrio...



A normose nos fez esquecer que o surgimento da vida humana expressa a subjetividade subjacente a toda a rica evolução da matéria e que esse fato, por si só, já estabelece laços e compromissos com toda expressão da vida.



É fundamental, pois, que passemos a alimentar uma postura com uma consciência do global e do local. Somos convidados a edificar uma nova era de civilizações. Que ética, que moral importa viver nestes próximos tempos ?



A atitude normótica remete a maioria a uma “atitude de sono e de inércia”. Para aqueles mais despertos, há uma dolorosa sensação de impotência diante do alarme ecológico. Mesmo esses últimos acabam por transferir para “além do meu quintal” a responsabilidade que é de cada um.



A atitude de cuidar da casa, da morada, do “ethos”, é de cada ser que respira, se movimenta, se alimenta, gera resíduo. A teia da vida manifestada, de uma anêmona do mar a um angico, de uma vaca no pasto a uma andorinha, faz sem dúvida a sua parte, enquanto nós, humanos, ditos “civilizados e modernos”, terceirizamos essa co-responsabilidade.



A normose nos aprisiona em um “sono” do qual é preciso despertar, para começarmos a perceber e a reagir aos sinais de esgotamento dos recursos naturais que denunciam que tudo depende da salvaguarda da Terra, para a manutenção das condições de vida e de reprodução para a humanidade. Temos notícias históricas de colapsos e cataclismos que baniram do planeta determinadas espécimes.



Assim sendo, o projeto de harmonizar a humanidade com o planeta nos parece ser uma pré-condição fundamental para que se possa viabilizar qualquer outro projeto, pois estamos falando da sobrevivência a Terra e dos seus filhos e filhas. Essa consciência precisa ser assimilada e vivenciada, urgentemente.



Autora: Regina Fittipaldi



Obs: Trechos retirados da obra: “Normose: patologia da normalidade”, autores: Pierre Weil, Jean-Yves Lelo’up, Roberto Crema, Campinas, SP: Verus Editora, 2003, páginas: 116, 117e 118.

04 janeiro 2012

"A MUNDANÇA COMEÇA EM NÓS"


Obs: Foto tirada em uma das aulas de Educação Ambiental na Escola Rio Caeté


"A MUDANÇA COMEÇA EM NÓS"


Todos nós desejamos viver num mundo melhor, mais pacífico, fraterno e ecológico. O problema é que as pessoas sempre esperam que esse mundo melhor comece no outro. É comum ouvirmos pessoas falando que têm boa vontade para ajudar, mas como ninguém as convida para nada, nem se organizam, então não podem contribuir como gostariam para um mutirão de limpeza da rua, por exemplo, ou para plantio de árvores. Pessoas assim acabam achando mais fácil reclamar que ninguém faz nada, ou que a culpa é do “Sistema”, dos governantes ou empresas, mas não se perguntam se estão fazendo a parte que lhes cabe.


Por outro lado, é importante não ficar esperando a perfeição individual - pois isso é inatingível. O fato de adquirirmos consciência ambiental, não nos faz perfeitos. O importante é que tenhamos o compromisso de ser melhor todo dia, procurando sempre nos superarmos. Também não podemos cometer o erro de subordinar a luta em defesa da natureza às mudanças nas estruturas injustas de nossa sociedade, pois devem ser lutas interligadas e simultâneas, já que de nada adianta alcançarmos toda a riqueza do mundo, ou toda a justiça social que sonhamos, se o planeta tornar-se incapaz de sustentar a vida humana com qualidade.


As questões ambientais estão inter-relacionadas também à questão da identidade cultural de uma comunidade. Ao migrar das cidades do interior para os grandes centros urbanos, além de todos os problemas que acarretam com o crescimento das cidades, as pessoas perdem muito de sua identidade cultural, sua memória. Se no interior, apesar das dificuldades, as pessoas tinham nome e sobrenome, eram conhecidas, nas cidades estão isoladas, como se fosse num mar enorme, de gente por todos os lados, mas gente desconhecida.


Sem identidade cultural, importa muito pouco saber que o patrimônio da coletividade, seja ambiental, seja arquitetônico, histórico, cultural, a própria rua, a praça, está sendo ameaçado ou destruído. À medida que essa gente não se sente dona desses espaços coletivos - que são considerados como terra de ninguém ou como pertencentes aos governos dos quais não gostam - também não se mobilizam em sua defesa. Assim, não há nenhuma sensação de perda diante de uma floresta que deixa de existir ou de um lago ou manguezal aterrado, pois a população residente, em sua maior parte, por não ter identidade cultural com o lugar em que vive, também não se sente parte dele. Esse fenômeno acontece, hoje, principalmente nas periferias das grandes cidades brasileiras, onde se concentram milhares de trabalhadores que usam as cidades apenas para dormir constituindo-se em mão-de-obra pendular casa-trabalho/trabalho-casa das grandes cidades. Existe uma grande população, mas não um grande povo.


Um educador ambiental, por exemplo, precisa ter clara compreensão dessa realidade, procurando também associar-se às lutas populares pelo resgate cultural e desenvolvendo técnicas, como a memória viva, para iniciar uma formação de identidade cultural dos educandos com o lugar em que vivem.


Nesse ponto retorna a questão fundamental da linguagem. É preciso partir da percepção dos educandos sobre o que são as questões ambientais, e não da dos educadores, para que os alunos assumam como suas as melhorias ambientais e a defesa de seu patrimônio ambiental, e não uma imposição dos governos ou da escola. Nesse sentido, o professor não deve pretender ser um condutor de novos conhecimentos, pois não se trata apenas de estimular o aluno a dominar maior número de informações, mas assumir o papel de estimulador, motivador, instrumento, apoio, levando os alunos a elaborarem seu próprio conhecimento sobre o que seja meio ambiente e o aluno pode fazer para evitar as agressões.


A Educação Ambiental, à medida que se assume como educação mais política do que técnica, assume também o processo de formadora da identidade política e cultural de um povo. Nesse sentido, alinha-se a todas as lutas e movimentos da sociedade pela cidadania.


O educador ambiental deve procurar colocar os alunos em situações que sejam formadoras, como por exemplo, diante de uma agressão ambiental ou de um bom exemplo de preservação ou conservação ambiental, apresentando os meios de compreensão do meio ambiente. Em termos ambientais isso não constitui dificuldades, uma vez que o meio ambiente está em toda a nossa volta. Dissociada dessa realidade, a educação ambiental não teria razão de ser. Entretanto, mais importante que dominar informações sobre um rio ou ecossistema da região é usar o meio ambiente local como motivador, para que o aluno seja levado a compreender conceitos como, por exemplo:


VISÃO FÍSICA: 

Nada vive isolado na natureza. Assim como influenciamos no meio, somos influenciados por ele. Um ser depende do outro para sobreviver. Não existem seres mais ou menos importantes para o conjunto da vida no planeta. A única coisa importante é a rede de relações que todos os seres vivos mantém entre si e com o meio em que vivem. Rompida esta "teia", ou diminuída em sua capacidade, a vida corre perigo.


VISÃO CULTURAL:

O meio ambiente não é constituído apenas pelo mundo natural, onde vivem as plantas e os animais, mas também pelo mundo construído pelo ser humano, suas cidades, as zonas rurais e urbanas. Estes dois mundos relacionam-se e influenciam-se reciprocamente. Somos resultado dessas duas evoluções, a natural e a cultural.


VISÃO POLÍTICO-ECONÔMICA:

O poder não está distribuído de maneira igual por toda a humanidade, sendo diferente, portanto, a distribuição das responsabilidades de cada um pela destruição do planeta e pela construção de um mundo melhor. Cada cidadão pode e deve fazer a sua parte, mas os empresários, políticos, administradores públicos, etc., têm uma responsabilidade muito maior. Atrás de cada agressão à natureza estão interesses sócio-econômicos e culturais de nossa espécie, que usa o planeta como se fosse uma fonte inesgotável de recursos. As relações entre a espécie humana e a natureza estão em desequilíbrio por que refletem a injustiça e desarmonia das relações entre os indivduos de nossa própria espécie.


VISÃO ÉTICA: 

A mudança para uma relação mais harmônica e menos predatória e poluidora com o planeta e as outras espécies depende de todos, mas especialmente começa em cada um de nós, individualmente, através de dois movimentos distintos: um para dentro de nós mesmos e de nossa família, com adoção de novos hábitos, comportamentos, atitudes e valores; e outro para a sociedade em torno de nós, buscando a união com outros cidadãos para influir em políticas públicas e empresariais que levem em conta o planeta, a qualidade de vida, a justiça social.


Logo, por mais que o ensino para o meio ambiente mude de lugar para lugar, em função das diferentes realidades, alguns princípios estão presentes praticamente em todas as situação, tais como:


DEFINA PALAVRAS E CONCEITOS:

Defender a natureza, a flora e a floresta, o meio ambiente, a ecologia. Preservar os ecossistemas e os habitats, combater a depredação dos recursos naturais, a poluição de mananciais e do lençol freático. São palavras e conceitos que se tornaram comuns hoje em dia, mas afinal, do que se trata? É preciso definir o que se está falando, tomando o cuidado de não cair num tecnicismo que distancie o aluno da ação transformadora que ele precisa empreender como cidadão de seu tempo.


MOSTRE A IMPORTÂNCIA:

Por mais sério que seja, ninguém consegue ter a sensação de importância por uma coisa abstrata, fora de sua realidade. Antes de se importar com a sobrevivência das outras espécies, o aluno precisa estar consciente de sua própria importância, sua capacidade de interferir no meio ambiente e de agir como cidadão. Afinal, como respeitar espécies consideradas inferiores se o aluno percebe que não há respeito entre os indivíduos de sua própria espécie?


ESTIMULE A REFLEXÃO:

A cada ação deve corresponder uma reflexão, pois não é possível pretender transformar o mundo ou criar uma relação mais harmônica com a natureza ou os outros indivíduos de nossa própria espécie baseando-se apenas no academicismo, onde se acumula um volume imenso de conhecimentos e informações sem que isso reverta em melhoria das condições de vida; ou no tarefismo, onde se procura transformar o mundo pela ação direta, como se nosso esforço fosse o suficiente para contagiar a todos. O equilíbrio entre as duas forças deve ser o objetivo de uma boa educação para o meio ambiente.


ESTIMULE A PARTICIPAÇÃO:

Uma vez que o aluno já domina um mínimo de conhecimentos sobre palavras e conceitos e está consciente sobre a importância de seu papel como agente transformador o próximo passo é a participação. É no enfrentamento dos problemas de seu cotidiano que o aluno se formará como cidadão. Além disso, o jovem não precisa chegar à maioridade ou ter um diploma técnico para só então defender seus direitos a um meio ambiente preservado, pois cada omissão equivale à destruição de mais e mais recursos naturais, de mais e mais poluição. A mudança deve começar já, inicialmente através de novas atitudes e comportamentos, mas logo a seguir procurando engajar-se nas ações da sociedade em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida. Para estimular os alunos, uma boa técnica é estabelecer parceiras com os grupos ecológicos comunitários do lugar, convidando-os para se integrarem ao trabalho na escola.


INTERESSE-SE A DESCOBRIR COISAS NOVAS:

Um diploma de conclusão de curso não significa o domínio total de um conhecimento. A gente continua aprendendo sempre. Interesse seus alunos pelos estudos da natureza, lendo com eles notícias recentes de jornais e revistas, comentando a última programação sobre ecologia na televisão. Estimule cantinhos da natureza na sala de aula, museus naturais, álbum de recortes, leituras coletivas de materiais etc.


FAÇA JUNTO COM ELES:

O exemplo vale mais do que mil palavras. Os alunos são bastante impressionáveis diante da figura do professor. Ver o professor falar, falar, mas não agir conforme o que fala é desestimulante para os alunos e, ao mesmo tempo, um apelo ao não-agir, considerar o ensino para o meio ambiente como mais uma disciplina aborrecida que deve ser estudada apenas para tirar uma boa nota. Aproveite a oportunidade e engaje-se com seus alunos na tarefa de se construir as novas relações com o planeta, afinal, essa é uma tarefa de cidadania, muito mais que um compromisso de trabalho.


SAIA DA SALA DE AULA:

O meio ambiente da sala de aula não é o mais adequado para ensinar sobre o mundo que está lá fora. Sair da sala de aula, entretanto, traz inúmeros problemas quando se dispõe de apenas 45 minutos para uma aula. Uma das soluções pode ser mutirão pedagógico com colegas de outras disciplinas, o que reforça o caráter interdiciplinar do ensino para o meio ambiente. Outra possibilidade é sugerir aos pais dos alunos que façam incursões em finais de semanas ou feriados para realizar estudos do meio ou investigar e fotografar um problema ambiental, levando no carro dois, três ou mais coleguinhas dos filhos. E isso nem é uma proposta absurda, já que muitos pais ajudam os filhos nos trabalhos escolares, e não deixa de ser um passeio interessante, além de promover a integração entre pais e alunos, escolas e comunidade.



Obs: Artigo: “A MUDANÇA COMEÇA EM NÓS", autor: Vilmar Berna, e foi retirado do site:
http://www.escritorvilmarberna.com.br

22 dezembro 2011

"PEDALADA ECOLÓGICA DA ESCOLA RIO CAETÉ - 10.12.2011"



Obs: Imagem extraídas do blog: http://guardioesdanaturezariocaete.blogspot.com/


"PEDALADA ECOLÓGICA DA ESCOLA RIO CAETÉ – 10.12.2011”


No dia 10.12.2012 às 7:30 hs da manhã os alunos, funcionários, pais, comunidade local e amigos da Escola participaram da concentração em frente a Escola Rio Caeté para a Pedalada Ecológica. Este momento contou com o apoio de grandes parceiros da Escola, como a Polícia Federal, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, DEMUTRAN, que deram o suporte e segurança aos participantes da Pedalada Ecológica durante o percurso até o Balneário Água Fria.


Durante o percurso no carro som além das canções voltadas para as questões ambientais o Professor: Ceará foi  dando  algumas dicas e informações sobre a nossa responsabilidade com a qualidade de vida de nosso planeta e o cuidado com o lixo. Na chegada dos participantes da Pedalada Ecológica no Balneário Água Fria, houve sorteio de vários brindes entre os quais uma bicicleta ofertada pela Secretária Municipal de Educação: Eulina Rabelo. Houve também torneio de futebol e muito banho de rio.

Obs:Mais informações, detalhes e imagens deste evento visite:

http://guardioesdanaturezariocaete.blogspot.com/

http://tribunadocaete.blogspot.com/

Obs: Informações retiradas do blog:
http://radioriocaete.blogspot.com/


10 novembro 2011

"A EDUCAÇÃO AMBIENTAL É TAMBÉM UMA EDUCAÇÃO PARA PAZ"


Obs: Imagem extraída do site: http://amorporgaia.blogspot.com/



"A EDUCAÇÃO AMBIENTAL É TAMBÉM UMA EDUCAÇÃO PARA PAZ"


Não cabe, em educação ambiental, um ensino do tipo mero transmissor de conhecimentos pois os problemas ambientais de nosso mundo não resultam na falta de conhecimento ou informação, caso contrário, pessoas bem informadas não promoveriam agressões ambientais. 



A educação ambiental deve buscar a motivação do aluno para a mudança de atitudes, de valores, sensibilizá-lo para a transformação ambiental de sua realidade, estimular uma nova ética mais solidária e responsável tanto com nossos semelhantes quanto com os demais seres da Criação. Os alunos não são ‘páginas em branco’ sem história ou experiências ambientais anteriores, pois já trazem uma bagagem ambiental, só que essa visão é às vezes romântica, como se as questões ambientais dissessem respeito apenas às plantas e aos bichos, uma visão embrionária de cidadania, onde o mundo melhor que desejamos começa no outro, uma visão utilitarista, onde o Planeta e os outros seres não passam de recursos, justificando o seu uso e abuso em nome do desenvolvimento da espécie humana. 



Os meios de comunicação, principalmente a televisão, exibem grande número de informações ambientais, no entanto, não possuem o caráter pedagógico requerido para o ensino do meio ambiente, mas isso não significa que se deva recusá-los. É mais o caso de complementá-los, lidando com as informações e conceitos veiculados para ajudar os alunos na reflexão sobre os fatos, relacionando-os com suas realidades vividas. Nesse processo, os alunos ao mesmo tempo que adquirem os instrumentos intelectuais necessários para a compreensão do mundo em que vivem, motivam-se a transformá-lo, buscando solução real para os problemas apresentados, atacando suas causas. Neste sentido, se adequadamente utilizada, os meios de comunicação podem se tornar importantes instrumentos do professor na formação do aluno, como, por exemplo, usar em sala de aula jornais, revistas, vídeos com temas ambientais.



Outra ideia interessante é aproximar o aluno de seu meio ambiente através de passeios ecológicos, estudo do meio, estudo de caso, etc., que estimulem a troca de informações, visões e experiências sobre o meio ambiente na comunidade, seus problemas concretos e possibilidades de solução, seguido de debates cidadãos e trabalhos científicos, mas agora num clima de interesse pelos fenômenos naturais e os conceitos sobre a natureza, a ideia de ecossistema, as cadeias alimentares, os ciclos naturais, o profundo poder de interferência da espécie humana na modificação – para pior ou melhor – do seu meio ambiente. Os alunos estarão partindo do local para o global, da realidade que conhecem e dominam para a que não conhecem e desejam dominar.

 
Os debates podem ser momentos muito ricos de possibilidades envolvendo o convite a ambientalistas, líderes comunitários, agentes governamentais, promotores públicos, pessoas que lidam com a problemática ambiental local preparando os alunos antes para aproveitarem bem o encontro, realizando perguntas interessantes que os motivem para a participação cidadã ambiental.



Nenhuma experiência seria mais enriquecedora que a organização, com os próprios alunos de um grupo ambiental na escola, como os Clubes de Amigos do Planeta. Ao mesmo tempo em que vão tomando conhecimento sobre a problemática ambiental em seus diversos aspectos, sobre as alternativas de soluções, sobre a necessidade de mudança de valores e atitudes, também vão construindo a própria cidadania ambiental, passam a valorizar o trabalho em equipe pelo bem comum, aprendem a ser democráticos, ou seja, a discutir e negociar opiniões diferentes num ambiente pacífico sem precisar recorrer a armas ou agressões físicas. Neste sentido, a educação ambiental é também uma educação para a paz.




Obs: Artigo: “A Educação ambiental é também uma educação para a paz”, autor: Vilmar Berna, e foi retirado do site: http://www.escritorvilmarberna..com.br